Resenha: A Verdade é uma Caverna na Montanha Negra – Neil Gaiman

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Um anão cujo nome não conhecemos é o personagem central dessa trama de vingança, ódio e, também, amor. O anão começa esta narrativa em busca do salteador Calum McInnes que deverá, mediante pagamento, ajudá-lo a encontrar a Ilha das Brumas, uma ilha misteriosa que some e aparece e parece mudar de lugar. A ilha está envolta em um mistério, pois esconde um grande tesouro de um ouro que promete amaldiçoar quem quer que o leve. Calum concorda em levar o anão, desde que o pagamento seja feito em prata e assim começa a nossa história.

Indaga se sou capaz de me perdoar? Posso me perdoar por muitas coisas. Por onde o deixei. Por aquilo que fiz. Mas não vou me perdoar pelo ano em que detestei minha filha(…). Odeio a mim mesmo por isso, e nada pode aliviar essa sensação, nem mesmo o que aconteceu naquela noite, na montanha.

Enquanto caminhamos junto com os personagens em direção à ilha, podemos perceber que ambos não são sinceros em suas intenções e que ambos escondem segredos. Toda a história parece um conto oral, daqueles de antigamente, uma lenda, e ficamos todo o tempo esperando vir a “moral da história”, que não acontece, porque todo o tempo Neil Gaiman evita fazer juízo de valor das atitudes dos personagens. Um momento que me incomodou bastante na história foi quando eles se abrigam em um casebre. Não vou dizer exatamente o que acontece por lá, para não dar nenhum spoiler, mas a cena que se desenrola me incomodou profundamente.

– Está enganado. A verdade é uma caverna nas Montanhas Negras. Há somente um caminho até lá, e um caminho apenas. Um caminho árduo e traiçoeiro. E, se seguir na direção errada, vai morrer sozinho na montanha.

O desenrolar da história vai se desenhando aos poucos e conseguimos prever em certo momento o que vai acontecer, mas nunca imaginamos como vai acontecer. Nem todos os mistérios são revelados, mas ficam no ar para que a imaginação do leitor possa criar esses detalhes. O livro tem um ar sombrio, como o Coraline, também do Neil Gaiman, que li ano passado. Nunca li mais nada do autor, além desses dois livros (mesmo tendo O Oceano no Fim do Caminho faz tempo), mas parece que vai se desenhando um padrão do tipo de literatura que ele produz: sombria, bem feita e criativa.

 O incrível trabalho gráfico de Eddie Campbell (conhecido por ilustrar a famosa graphic novel de Alan Moore, Do Inferno), que criou cenas em quadrinhos além das ilustrações, que apareceram em 2010, durante o festival Graphic, em que Gaiman fez a leitura do conto acompanhado pelo Quarteto de Cordas FourPlay, com os desenhos de Campbell sendo projetados ao fundo.O livro não pode ser classificado como  graphic novel ou livro ilustrado, ele é ambos ao mesmo tempo. E é incrível.

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