Resenha: Adeus, China – Li Cunxin

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Sinopse: Em um vilarejo desesperadamente pobre do nordeste da China, um jovem camponês está sentado em sua velha e frágil carteira escolar, mais interessado nos pássaros lá fora do que no Livro Vermelho de Mao e nas nobres palavras nele contidas. Naquele dia, porém, homens estranhos chegam à escola – os delegados culturais de madame Mao. Estão à procura de jovens camponeses que, depois de receberem a formação necessária, possam tornar-se os fiéis guardiães da grande visão de Mao para a China. O garoto observa um dos colegas ser escolhido e levado para fora da sala. A professora hesita. Deve ou não deve? Quase desiste. Mas, afinal, no último momento, toca no ombro do oficial e aponta o garoto miúdo. “Que tal aquele?”, ela pergunta. Em um único momento, a possibilidade mais remota mudou de modo indescritível o curso da vida de um garoto. Ele faria parte de algumas das maiores companhias de balé do mundo. Um dia seria amigo do presidente e da primeira-dama, de astros do cinema e das pessoas mais influentes dos Estados Unidos. Seria uma estrela: o último bailarino de Mao, o queridinho do ocidente. Esta é a história de Li Cunxin – uma narrativa que poderia ter desaparecido, como as vidas de outros milhões de camponeses, em meio à revolução e ao caos. É uma história de coragem, de amor de mãe e do anseio por liberdade de um jovem. O relato belo e precioso de uma vida inspiradora contado com honestidade.

Impressões:

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A extrema pobreza de uma família de Qingdao, uma província da China comunista de Mao Tsé-Tung, nunca impediu o amor incondicional de uma mãe dedicada e de um pai trabalhador por seus sete filhos, todos homens. As dificuldades eram as mais marcantes que podemos imaginar: por muitas vezes a família sobreviveu por semanas tendo apenas uns poucos pedaços de inhame seco para comer. Sentimos no relato bibliográfico do autor o desespero de não ter o que comer ou não saber quando será a próxima refeição.

Para que possamos fazer alguma comparação de valores, basta saber que a família ganhava, em média, por mês, o equivalente a quatro dólares. Alguém consegue imaginar o que é sustentar uma família grande como essa com apenas quatro dólares, mesmo considerando que o dinheiro valia mais naquela época? Eu não consigo e só a possibilidade me desespera.

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O choque entre nossos costumes ocidentais e alguns dos costumes da China em que Li Cunxin cresceu também são enormes e dignos de nota. O exercício de se por em cada uma das situações apresentadas chega a causar certa aflição.

Mas o mais bonito de tudo é ver o amor de Li pela dança. Esse amor demorou a nascer, mas uma vez estabelecido, só fez crescer. Ver a mudança de vida que a dança foi capaz de proporcionar para Li e sua família é gratificante. E saber que cada palavra contida ali de fato aconteceu, é ainda mais emocionante.

É interessante ver também o tamanho da lavagem cerebral que a ocultação de informações e a promoção de mentiras pode gerar em toda uma nação. Ver que a China de Mao passava por necessidades absurdas, mas que dizia a sua população (que acreditava fielmente) que eram uma nação muito rica e que países como os Estados Unidos, que eram muito prósperos, eram miseráveis, chega a parecer piada, mas a ocultação da realidade fazia com que aquela fosse a única verdade conhecida pelos habitantes.

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O livro me fez refletir muito sobre diversos aspectos nele contidos: as tradições, a miséria, o valor do dinheiro, a alienação, o amor pelas artes. São muitos aspectos interessantes e fiquei muito feliz com a escolha que fiz no primeiro livro que leio da parceria do blog com a Fundamento. O livro ainda tem algumas páginas no final com fotos da carreira e da vida de Li, que ajudam a ilustrar bem o que é contado. Fazia muito tempo que eu não lia uma bibliografia, mas foi surpreendentemente bom voltar a fazê-lo.

Onde comprar? Submarino | Saraiva | Livraria Cultura

Nota:

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tayna

10 comentários em “Resenha: Adeus, China – Li Cunxin

  1. Fiquei super interessada em ler, amo esses livros que dão uma lição de vida e superação, e mais mostra a capacidade de vc realizar sonhos, não importa as circunstâncias. Adorei beijos.

  2. Eu já tinha visto esse livro em algum lugar e sempre achei o título incrivelmente triste. A sua resenha ficou muito boa e dá pra notar que o livro acaba mexendo com o leitor e ,por se tratar de uma cultura diferente, acaba se tornando ainda mais interessante, mas sempre com essa coisa interminavelmente triste que é a miséria e tal.

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