Resenha: Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

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Impressões e Citações:

– Quando a gente monta um show, não atira na plateia.

Eu resolvi mudar um pouco a forma como apresento as resenhas, no caso desse livro. Decidi não colocar a sinopse aqui e aconselho a quem não leu o livro, não ler a sinopse antes de fazê-lo. Ela contém uma informação que, quando não se sabe de antemão, faz grande diferença na leitura. E, acredito que sabê-la seria como ler um grande spoiler. Dito isso, vamos ao livro. Esse foi um dos primeiros livros que li esse ano, ainda em janeiro, por indicação da minha amiga Juliana (que, aliás, sempre me indica livros incríveis).

Foi uma leitura muito difícil e muito intensa desde o início. Eva, mãe de Kevin reconstitui toda a trajetória da vida de Kevin em cartas destinadas a Franklin, seu marido e pai de Kevin. Percebemos logo de início, pelo tom das cartas, que ambos não estão mais juntos, devido ao que Kevin fez. Sabemos que ele cometeu algum tipo de massacre escolar, como o de Columbine, mas não conhecemos a verdadeira natureza do ataque até o fim do livro.

Preciso dizer que o livro é incrível, mas me deixou extremamente amedrontada. Sob a perspectiva que Lionel nos dá em seu livro, apesar da culpa dos pais no que Kevin veio a ser, fica bem claro que ele já era um menino mau. Talvez se o comportamento de ambos os pais fosse outro, ele não tivesse ido tão longe, mas certamente já se observava maldade nele desde o início.

Vou tentar construir um pouco do perfil dessa família aqui sem dar nenhum spoiler. A mãe, Eva, nunca quis engravidar e era muito feliz com sua vida de editora de um guia de viagens. O pai, Franklin, sempre quis ter filhos e acabou conseguindo convencer Eva. Porém, vemos que desde o início, Eva nunca amou o filho, mesmo quando ele ainda estava em sua barriga, vemos uma rejeição por ele enorme. Enquanto Franklin, desde sempre, fecha os olhos a tudo de errado que o pequeno Kevin faz. Kevin, por sua vez, é uma criança (e ouso dizer que quando bebê já era assim) extremamente dissimulado e manipulador. Enquanto leva a mãe e todas as babás contratadas a loucura com seus gritos ensurdecedores, basta o pai chegar para que ele se transforme em uma criança dócil. Esse perfil será levado por ele ao longo da vida: fazendo de tudo para irritar a mãe e sendo o filho perfeito para o pai. Esse comportamento ambivalente de Kevin acaba por afastar seus pais. Franklin acha Eva fria demais com o filho e Eva considera Franklin condescendente demais.

Lionel traça um perfil muito claro dos atentados ocorridos em escolas norte-americanas, fazendo um paralelo com a história narrada no livro.

A pergunta perturbadora que ficou na minha mente por muito tempo, depois que li esse livro foi: existe só um culpado? Seria Kevin mau por natureza? Ou talvez a rejeição da mãe foi sentida por ele e o tornou assim? Seria o excesso de cuidado e de proteção do pai culpado também? Alguma coisa poderia impedir o final trágico desta história?

Eu não tenho respostas para essas perguntas, mas indico o livro a todos (o filme também é incrível, vale ressaltar).

Nota: 

Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

precisamos-falar-sobre-o-kevin-resenha-livroTítulo Nacional:  Precisamos falar sobre o Kevin
Ano de Lançamento: 2007
Número de Páginas: 464 páginas
Editora: Intrínseca
Tradutor:
Vera Ribeiro
Título Original: We Need to Talk About Kevin
Ano de Lançamento: 2003
Número de Páginas: 400 páginas
Editora: Counterpoint

 

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tayna

10 comentários em “Resenha: Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shriver

  1. Tayná! Vim aqui só pra ver o que você achou do final do livro..rs. Lembro da gente conversando sobre a história na cozinha da editora rsrr ! Eu amei o filme e estou louca pra ler o livro! Acho que grande parte da culpa de toda essa ira do Kevin vem sim do não desejo que a mãe desde, sua geração, sentia por ele. Ele nunca foi bem vindo e acredito que tudo isso se entranhe na formação dele como ser humano..fazendo ele se sentir rejeitado e com raiva do mundo…sentindo-se sem espaço e sem esperança. Enfim, vou ler o livro!! 🙂 beijoooss !!!!

  2. Ps: Editora Intrínseca, por favor, publique o livro com a capa original, ela é tão perturbadora, interessante e misteriosa. Capas de filmes são só para filmes, não são legais em livros rsrsrsrs

  3. Sempre fico pensando naqueles traços de personalidade antissocial, mas alguns dizem que não podemos dizer que crianças nascem psicopatas já sua personalidade não está totalmente formada. Buuuut, nesse caso, do Kevin…sei láa. Para mim ele nasceu mau, e a rejeição da mãe pode até ter contribuído de alguma forma, mas não foi o ingrediente principal. O que eu achei interessante tb foi o livro mostrar o lado da família, de quem sobrevive a uma tragédia dessa, o estigma que a sociedade impõe.

  4. Na boa, não tenho a menor vontade de ler esse livro, Tay! hahaha.
    Não sou forte o suficiente para encarar esse tipo de história, meu emocional é bem fraquinho,
    Mas a resenha ficou ótima! Tão boa que eu senti o “peso” do livro e decidi que não vou encará-lo.
    Lembro que a Juju já falou dele, mas não tinha imaginado que era tão forte….
    =*

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